• Ana Morado

Oxigenando planos

Ao iniciar minha carreira como coach, percebi que uma das maiores dificuldades dos clientes era a imaginação. Digo imaginação no sentido mais completo da palavra: “faculdade de criar a partir da combinação de ideias”. Por se tratar de palavra feminina, a fertilidade de seu sentido nos remete à riqueza, à completude, ao todo.

De maneira nata, as crianças e os artistas têm esse dom. Eles desconhecem o significado do fim, da transitoriedade. Tal possibilidade os engrandece na medida em que a mente se vê absolutamente livre para pensar, para criar. Sem limites e sem julgamentos.

Nessa linha de pensamento, antes de mais nada, o primeiro passo a ser dado por qualquer pessoa que se interesse pelo planning de vida é o de se permitir pensar e absorver novos conhecimentos. Estar aberto ao desconhecido e ao lúdico significa repensar a vida através de novos ângulos, novas percepções e descobertas.

Ao longo deste caminho, conceitos são desfeitos, referências são questionadas e crenças são substituídas. A construção de um planejamento de vida não se deve engessar por confortáveis norteadores de ideias. Tudo aquilo com rota pré-definida e padrões já conhecidos é de certa forma contaminado por experiências vividas.

O que se deseja é justamente o oposto. A possibilidade da dúvida só nasce a partir do novo, do desconhecido. OXIGENAR PLANOS é a ideia imperativa. As chamadas PERGUNTAS PODEROSAS, ferramentas muito utilizadas pelo planner, nos levam a reflexões inimagináveis. Consequentemente, desbloqueamos nossas pseudo amarras e autocensuras.

As mudanças por si só já trazem incômodos, desconfianças e inseguranças, mas em momentos de crescimento pessoal esta nova rota torna-se necessária. É o verdadeiro despertar. Como dizia Guimarães Rosa: “o real não está na saída nem na chegada; ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”. A travessia pode ser entendida como o caminhar, onde planner e cliente investigam conjuntamente elementos necessários para esta empreitada.


E assim nos questionamos: qual o foco? Onde queremos chegar? Qual meu propósito de vida? Quais são minhas reais dificuldades? O que me fez chegar até aqui? O que gostaria de mudar em minha vida? Quero mudar? O processo de autoconhecimento é desafiador. Talvez uma das experiências mais ricas que o ser humano possa experimentar.


A riqueza da mente humana cada vez mais surpreende a todos: médicos, terapeutas, mentores espirituais, filósofos etc. Entretanto o exercício da autobusca é particular, é único, talvez doloroso, talvez surpreendente, mas certamente um caminho de luz e de empoderamento.

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