• Ana Morado

Escolhas corretas: uma ilusão mental

Pode parecer estranho e até contraditório, mas quanto mais opções temos na vida, mais difícil se torna fazer uma escolha. Muitas vezes desejamos intimamente que alguém faça esta escolha por nós. Tomar uma decisão implica em algum momento, uma perda. E nessa sociedade competitiva, não estamos preparados para perder…

A ilusão do controle nos acompanha, nos atormenta até. Temos um desejo oculto de abraçarmos todas as possibilidades existentes sem o menor risco de perder nada. E o mais angustiante dessa fantasia: queremos ter a certeza de que seja qual for a escolha, ela foi a melhor. E quem fará esse juízo final? Nós mesmos? A família, a empresa, a sociedade, nossos pais? Sempre desejamos que ALGUÉM seja corresponsável por nossos acertos ou erros. Mas esse cenário compõe apenas o pano de fundo de uma grande ilusão.



Apenas nós e somente nós devemos ser o responsável por nossas escolhas. E mais do que isso. Em nosso íntimo sabemos exatamente o que queremos. Entretanto é preciso haver um cuidado redobrado com possíveis pensamentos premonitórios: “isso aconteceu devido àquilo que eu já previa ou sentia”. Tendências como essa apenas nos confortam. É uma maneira sutil de terceirizar a responsabilidade ou amenizar consequências desagradáveis. Essa estratégia dura pouco e rapidamente nossos pensamentos nos visitam reforçando a dura verdade: “Eu fiz essa escolha e o resultado não foi o esperado. Sou o único responsável por isso”.


E então? O que fazer diante de uma frustração? Relembrando o que foi dito acima: não estamos preparados para perder. Mas o fato é: experiência e aprimoramento são obtidos somente depois de muita prática, o que certamente envolve erros. Precisamos urgentemente dissociar a conexão mental que fazemos de maneira automática: escolhas malfeitas significam erros. Isso é uma grande inverdade. Tudo, seja qual for essa escolha indevida, irá gerar APRENDIZADO.

Apenas nós possuímos as informações que nos levaram a optar por um determinado caminho. Julgamentos exteriores são superficiais e não contribuem de maneira produtiva com o nosso processo. Como disse Clarice Lispector: “Cada um tem a sua própria história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida”.

Assim sendo, nos resta lembrar que independentemente de sua opção, seu caminho, aquela certamente foi a melhor opção a ser seguida. Todas as condições que nos cercam no exato momento de uma escolha são únicas: dia, pensamentos, informações, pessoas envolvidas, situações avaliadas etc. Nada na vida é permanente. Tudo muda, sempre.

Criticar uma escolha que foi feita há 5 segundos atrás é quase o mesmo que desejar voltar no tempo, manipulando os ponteiros de um relógio. Nada será mais como antes. Nem o tempo, nem você, nem suas ESCOLHAS.

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